segunda-feira, 25 de agosto de 2008

CIRANDA DE PEDRA (2)

(1954)

"Eu ia andando por uma rua muito elegante daqui de São Paulo e vi uma casa sendo demolida. Eu me lembro que a casa tinha um jardim lindo e uma escada de mármore. A casa já estava sem a parede da frente, exposta. Fiquei muito comovida com aquela imagem e pensei comigo: aqui nesta casa gente amou, viveu, dançou e chorou. Aí, percebi uma fonte débil, com água ainda jorrando. Em volta dela, havia pequenos anões de jardim, que estavam de mãos dadas, em uma ciranda que fechava a fonte. Pensei em uma jovem querendo entrar nessa ciranda de pedra e não conseguindo. Foi assim que nasceu a Virgínia."

(...)
"Ciranda de Pedra tem muito a ver com a minha história. Eu tive uma juventude muito tempestuosa. Eu era uma estudante muito pobre, meu pai havia se separado de minha mãe, eu me sentia muito rejeitada. A personagem Virgínia nasceu desse sentimento da rejeição. Esse livro é de 1954, tinha uma lésbica nesse romance, uma coisa que ninguém falava naquela época. O preconceito era terrível. Era a minha vontade de quebrar com os preconceitos, de quebrar com a tradição, das coisas todas arrumadinhas, limpas, sem poeira."
(...)

"Um livro que me ensinou a liberdade de escrever. Não me detive em qualquer limite nas personagens, na temática. É um livro corajoso para a época, tem como protagonistas um impotente, uma lésbica, e todo tipo de relacionamento dificílimo. Não hesitei diante de nenhuma personagem. Foi considerado escandaloso."

Um comentário:

Laura H. Capelhuchnik e Pedro Levorin disse...

Lygia,
Você é genial, simplesmente.